Gago Coutinho entre as duas guerras 1914-1944

Numa iniciativa da Associação “Espaço e memória de Oeiras – Diálogos em noites de verão“, decorreu no dia 29 de Agosto mais uma conferência do Professor Dr. Rui Costa Pinto, subordinada ao tema, “Gago Coutinho entre as duas guerras 1914-1944“.

Após uma pequena abordagem contextualizada, percebemos que a vida de Gago Coutinho foi transversal a três grandes regimes, sendo que a sua formação decorre em plena Monarquia, a sua época de glória na I República e os seus problemas, por oposição ao regime fascista e ao nazismo, no Estado Novo.

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De seguida, passou-se então às datas e eventos relevantes na vida do Almirante.

Em 1888, Gago Coutinho embarca na corveta “Afonso de Albuquerque”, na qual viajou para Moçambique, em 1893 na corveta “Mindelo” onde ruma ao Brasil e em 1898, na corveta “Vasco da Gama” repetindo as rotas dos Descobrimentos.
Entre 1901 e 1918 foi nomeado por Portugal para efectuar a delimitação de fronteiras Luso-Britânica do território de Niassa, foi comissário de Portugal para a delimitação de fronteira Luso-Belga de Noqui ao Cuango e delimitação das fronteiras ao norte e sul de Tete.
Como chefe de missão geodésica na Africa Oriental fez o levantamento cartográfico efetuando a sua ligação com a Africa do Sul e fez também uma missão geodésica em S.Tomé.

A sua participação e acção como geógrafo nos trabalhos geodésicos na missão de Barotza para delimitação de fronteiras de Angola, onde se estima uma área cerca de 3000 m2, foi muito importante, tendo sido nomeado em 1918 membro da Comissão de Cartografia da qual foi Presidente em 1925.

Em 1921, como navegador efectua a viagem aérea experimental de Lisboa ao Funchal, onde é recebido com Honras como nunca tinha visto antes.
(Aqui o Dr Rui Pinto fez uma chamada de atenção para a petição a decorrer para a mudança de nome do Aeroporto da Madeira de Cristiano Ronaldo para Gago Coutinho por toda a sua história).

Em 1922, Gago Coutinho efectua a 1ª Travessia Aérea do Atlântico Sul. entre Lisboa e o Rio de Janeiro com reconhecimento além fronteiras.
Foi promovido e condecorado pela Marinha Portuguesa ao posto de Contra-Almirante.
Em França, no Brasil, Espanha, Bélgica e Itália como apreço, o mundo reconheceu esta memorável travessia aérea.


Geografo, navegador e investigador, dedicou-se ao estudo e criação da Navegação Aérea Astronómica por intermédio do sextante modificado/Plaqué de abatimento/corretor de rumos.

Entre 1926 e 1928, Gago Coutinho foi nomeado director da Aeronáutica Naval Portuguesa com distintivo de Piloto Aviador, entre outros, e exerceu cargos no Concelho Superior das Colónias e na Academia de Ciências de Lisboa. Foi também nomeado pelo Ministério de Guerra para a reorganizar os serviços geográficos e cartográficos.
Nesta mesma data, fazia também parte da comissão de estudos de aeroporto nos Açores e navegação para as Colónias, tendo simultaneamente a missão de efectuar estudos cartográficos em França, Itália e Brasil.

Em 1930, Gago Coutinho foi convidado a fazer parte da comissão do Museu da Marinha e em 1931 é nomeado para a Presidência do Ministério.
Em 1932 foi representante de Portugal na reunião dos Aviadores Transatlânticos e em 1933 volta a Moçambique para a realização de trabalho de estudo geográfico.
Em 1936 foi nomeado para a comissão sobre a Expansão Portuguesa no Mundo.
Em 1939, Gago Coutinho encerra a sua vida oficial no posto de Vice Almirante.

Gago Coutinho pertenceu ainda ao Grande Oriente Lusitano da Maçonaria Portuguesa e era sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, a quem deixou investimentos da Shell dos quais ainda hoje recebe dividendos.

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No decorrer da conferência foi projectada diversa documentação entre fotografias e outros que fazem parte do acervo da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Ficam dele também as seguintes palavras:
“Nada há mais apreciável do que passar a vida ignorado mas, quando falarem de mim, por qualquer razão, que o façam ao menos com verdade”.

Ninguém fala de forma mais apaixonada sobre a Vida e Obra de Gago Coutinho que o Professor Rui da Costa Pinto, autor da única tese de doutoramento sobre o Almirante.

Célia Rocha. 30 Agosto 2016. Foto da autora. Capa livro autor Rui Pinto.

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