Viagem a Espanha – Céu Listrado

Hoje fizemos um voo diferente! Rota: Braga – Ruivães – Pisões – Xinzo de Limia – Baños de Molgas – Francos – Monforte de Lemos – Beariz – Caldas dos Reis – Vigo Oeste – Gondomar – Cerval – Braga.

Todos os pontos de referência na rota são aeródromos, com o objetivo de passar/conhecer os mesmos, exceto Ruivães e Pisões para evitar a área do Gerês e Vigo Oeste e Gondomar para evitar a CTR de Vigo. Voar de aeronave ultraleve/experimental em Espanha implica um pedido de autorização que já tinha feito meses antes, nessa altura arranjei também alguns contactos que me facilitaram a vida desta vez. A vontade existia, mas ainda não tinha sido o momento, que acabou por surgir durante esta semana.

O voo em si é uma navegação visual e nada melhor que fazer pelo velho método “relógio-carta-terreno”, impressionante a precisão de navegação que se consegue ter com uns riscos no mapa. O GPS ia lá, mas passou a maior parte do tempo desligado. Não obstante foi muito útil no troço Caldas dos Reis – Braga, pois permitiu aferir a velocidade terreno com maior precisão, uma vez que o vento nos atrasava bastante o progresso. Combustível em quantidade suficiente para a viagem, mesmo que estivesse planeado uma paragem para almoço e reabastecimento em Caldas dos Reis. Descolar, subir, manobrar para passar à vertical do aeródromo já na velocidade correta seguindo no rumo pretendido. Verificar que o cronómetro arrancou e ir procurando no terreno em frente o que a carta nos diz que iremos ver e minuto atrás de minuto, assoberbados pelo esplendor do Gerês, lá seguimos a nossa rota.

Controlo de tráfego aéreo sem problemas, um pequeno desvio em Montalegre e passamos a fronteira, a chamada em Santiago Approach não teve resposta e depois de Xinzo de Limia verifico no telemóvel que a Torre do Porto tinha ligado. Seguimos a rota e já estávamos próximos de Monforte de Lemos. Uma capa de nuvens cobria parcialmente a povoação, dando um ar ainda mais especial ao lindíssimo castelo.

Simultaneamente um relay pôs-nos em contacto com Santiago Approach, a ausência de contacto típica do voo a baixa altitude já causava, apesar de normal, algum desconforto, acentuado pela chamada da Torre. A seguir à cidade de Monforte era seguir pelo lado esquerdo da linha de comboio a NW da povoação e encontramos quase logo o aeródromo. Alteração de rumo para Oeste em direção à pista florestal de Beariz, esta era a perna mais longa da navegação, demasiado longa, deveria ter um ponto intermédio.

Os atrasos provocados pelo vento que nos atrasava o progresso levou a algumas dúvidas, mas acabamos por dar com a pista. Um ponto intermédio permitiria acertar tempos da navegação, minimizando o desvio. Comunicações perfeitas com Santiago que nos tinha no radar. Ponto seguinte Caldas dos Reis, uma pista privada onde tínhamos autorização para aterrar. Já se vê o mar, que seria a estrela de parte da segunda perna. Navegação sem grandes dificuldades, com os últimas milhas a serem a seguir a linha de comboio, uma vez que a mesma passava ao lado do aeródromo, com uma passagem para reconhecimento seguida de uma aterragem nos 525*25m de erva disponíveis.

Levávamos comida q.b., assim como combustível. Atrasamo-nos na saída e acabamos por não ter a esperada receção. Ficamos cerca de 45m no chão. Verificar combustível e os 21L eram mais que suficientes para a viagem que sem vento seria de 50 minutos.

Descolagem sem problemas com 1 ponto de flaps, a passarmos bem altos sobre as linhas de comboio no final da pista e siga em direção ao primeiro ponto da navegação. O vento de frente conforme a previsão estava puxadinho e a GS rondava os 45-50 kts, estava mais fraco próximo do chão, mas era também importante nesta fase termos comunicações rádio, que perderíamos se descêssemos. Ponto na zona de Sanxenxo, aqui o objetivo era contornar a CTR de Vigo. Ponto seguinte era Cangas, ponto visual a Oeste de Vigo, seguindo-se Gondomar um pouco mais para o interior, apontando ao Cerval, contornada que estava a CTR de Vigo. A paisagem nestas pernas é maravilhosa, o belo do passeio junto ao mar.

Segue-se a mudança para Porto App, uma passagem baixa no Cerval e siga para Braga. O resto do voo já quase todos fizeram, não teria grande história, mas…

A perna entre Cerval e Braga teria a duração de 20 minutos, com a intensidade de vento que se fazia sentir a coisa demorou mais. Houve alguma dificuldade em comunicar com o Porto, o que nos forçou a subir pouco antes de Ponte de Lima, valeu o relay do CS-DGS. Na subida acende-se a luz de reserva, com o deslocamento do combustível para trás. Lançado o cronómetro e verificada a hora. Ao nivelar a luz desapareceu. Caso ficasse fixa a decisão seria voltar ao Cerval. Uma das vantagens da rota planeada era passar por muitos aeródromos, estando sempre a menos de 30 minutos do aeródromo mais próximo.

Prosseguimos em direção a Braga e estabelecidos a 3000ft cerca de 5NM antes do campo a luz começou por piscar e depois acendeu. Mantivemos a altitude e quando estávamos dentro do ângulo de planeio simulamos uma falha de motor. Não mais se mexeu no motor até estarmos em segurança, um belo SAF.

Em resumo: – Uma bela viagem e que muito recomendo. Paisagens muito bonitas e um voo muito desafiante.

A melhorar:

– Não colocar pernas demasiado longas.

– Arranjar forma melhorar o controlo de consumo de combustível.

– Fazer num dia que o vento não seja tanto fator. De ressalvar o pedido de autorização feito a Espanha alguns meses antes, que identifica algumas regras a serem cumpridas, bem como documentação a transportar a bordo.

Céu Listrado – Clube Aeronáutico, quem é?

O Céu Listrado – Clube Aeronáutico, (CLCA) fundado em dezembro de 2007 e sediado no Aeródromo Municipal de Braga, é um clube aeronáutico ainda muito “jovem” e que está a crescer de forma sustentada.

O CLCA é uma associação de portas abertas, mostrando a aviação à comunidade, fazendo querer que é possível estar neste mundo, neste ambiente, nestas atividades e neste desporto de forma fácil, simples e acessível.

Desde então, não obstante todas a dificuldades e obstáculos (inerentes a qualquer atividade aeronáutica), tem-se mostrado com juventude, força e vontade para atingir o seu principal objetivo – a Aviação acessível.

Neste momento a sua frota é constituída por duas aeronaves: uma dedicada aos pilotos com licença PPA/PC (com SEP válido) e outra aos pilotos de Ultraleve.

Caso tenha interesse em conhecer melhor o clube, estamos inteiramente abertos para o receber, pelo que terá apenas que contactar por uma destas vias:

Email: ceulistrado@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/ceulistrado/

Telemóvel: 910 318 706

Céu Listrado-Clube Aeronáutico. Fevereiro de 2020. Fotografías disponibilizadas pelo CLCA. 

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