Asas de uma esperança que se vê

Se Van Gogh não tivesse visto o mundo, teríamos nós a possibilidade de ver que o pintor holandês era um génio?…

Beethoven continuou a compôr quando basicamente já não ouvia… Conseguiria ter continuado a fazê-lo se não visse o que o inspirava?…

Se “os olhos também comem“, a comida teria o mesmo sabor se não a víssemos?…

O cheiro de uma rosa teria o mesmo significado se nos picássemos num dos seus espinhos porque não conseguíamos vê-los?…

Os olhos são as portas através das quais fazemos o mundo… E as janelas através das quais o mundo se faz em nós…

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Pare então a leitura por alguns segundos…

Imagine-se a tentar ler estas linhas com as portas e com as janelas fechadas…

Exercício difícil?…

Feche então os olhos…

Consegue agora imaginar-se a ler a vida e a (d)escrever o mundo imerso na escuridão?…

Essa mesma escuridão, a única percepção que algumas pessoas têm do mundo…

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Decorriam os anos 70 do século passado quando partes dos mundos da medicina e da aviação uniram vontades e juntaram esforços para criar uma luz que mudasse essa realidade.

Surgiu então a ORBIS, uma Organização Não-Governamental dedicada ao tratamento de problemas de visão: vale a pena conhecê-la em www.orbis.org.

Com a ORBIS surgiu inicialmente um DC-8, depois um DC-10 (celebrizado pela primeira temporada da série “Mighty Planes” do Discovery Channel) e mais recentemente um MD-10.

Máquinas diferentes mas com um conceito e com um conteúdo comuns: o Orbis Flying Eye Hospital.

Um hospital que já voou para quase metade dos países do mundo e que, há mais de 30 anos, carrega nas suas asas a esperança de milhões de pessoas.

Tal como alguém escreveu, “many small people, who in many small places, do many small things, can alter the face of the world“.

Assim, as asas deste hospital voam com o apoio de particulares e de empresas; o voluntariado de muitos (entre os quais estão alguns oftalmologistas de topo mundial) tornam-nas mais fortes.

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Equipado com um formidável conjunto de valências técnicas e tecnológicas, o Orbis Flying Eye Hospital tem duas grandes funções: prestação de cuidados oftálmico-cirúrgicos e a formação e treino de profissionais de saúde na área da Oftalmologia em países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento.

Um dos objectivos principais e que esteve na raiz deste projecto: prevenir e vencer, entre outras, situações clínicas que deveriam ter sido debeladas há muito. Essencialmente por dependerem de soluções razoavelmente simples no contexto da medicina actual e que são pouco dispendiosas.

img_20161015_201651O resultado pretendido: proporcionar qualidade de vida a pessoas que tiveram a infelicidade acrescida de nascer ou viver em sítios desprivilegiados.

E o sítio onde nascemos ou vivemos não deveria impedir-nos do que quer que fosse.

Muito menos impedir-nos de ver o mundo que todos fazemos e que se faz em cada um de nós.

Por outro lado, mais do que a obrigação de cuidar desse mundo, temos todos a obrigação maior de cuidar uns dos outros.

(o Homem inventou a aviação e reinventou-se como ser humano ao utilizá-la no âmbito da ORBIS, dos serviços SAR, do auxílio em situações de desastres e catástrofes naturais, do UN-HAS (do WFP), dos Smokejumpers e, de forma tão particularmente nossa, das Enfermeiras Pára-quedistas… Isto é, apenas alguns exemplos que provam e comprovam a humanidade da Humanidade…)

Pedro Cruz. 26 de Novembro de 2016

2 comments

  • Antonio Alves

    Bons voos!

  • Michael

    “o Homem inventou a aviação e reinventou-se como ser humano ao utilizá-la” – é bem verdade é reflecte as qualidades que levaram o Homem a querer conquistar o céu. Obrigado pela partilha do artigo

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