“Lisboa Informação” – Serviço de Informação de Voo

Lisboa Informação, Charlie Sierra Delta Alpha Alpha, descolado de Coimbra aos uno sete, em rota para Santarém via Fátima subindo para três mil e quinhentos pés

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A “liberdade de voar” que é característica do Espaço Aéreo Golf da Região de Informação de Voo de Lisboa não sai do seu elemento pelo simples facto de contactar com Lisboa Informação (Lisboa Mil).

Para fazer parte das aeronaves que a partir do primeiro contacto com o Controlador de Tráfego Aéreo acedem ao Serviço de Informação de Voo tem o Aviador de submeter um Plano de Voo onde declara as suas intenções para o voo. Intenções essas que poderão em qualquer fase do voo (!!) ser alteradas seja em altitude, em rota, seja mesmo no destino bastando que para tal informe Lisboa Informação (Lisboa Mil).

Se dentro dessas novas intenções a aeronave penetrar Espaço Aéreo Controlado então LisMil dar-lhe-á uma autorização para entrar nesse espaço aéreo, como é o caso da Aproximação de Lisboa ou de uma qualquer área militar Ovar, Monte Real, Sintra, Alverca, Montijo ou Beja.

Lisboa Informação, Charlie Alpha Alpha irá subir para cinco mil quinhentos pés

É do conhecimento geral aeronáutico que quem presta este Serviço de Informação de Voo no Espaço Aéreo Golf até FL55 do nascer-do-sol ao por-do-sol são os Controladores de Tráfego Aéreo Militares, que apesar de serem militares desenvolvem o seu trabalho no Centro de Controlo De Tráfego Aéreo de Lisboa (CCTAL) da Nav Portugal baseado em Lisboa.

Fomos visitar estes profissionais e vamos procurar dar-lhe aqui um pouco da história de como estes Militares prestam um serviço público cuja missão e competências vão muito além da Informação de Voo no Espaço Aéreo Golf.

Criada em meados dos anos oitenta, a Esquadra Independente de Tráfego Aéreo (EITA) sob dependência do Comando Aéreo, coexiste no mesmo espaço físico do CCTAL com os restantes Sectores de Controlo Terminal, Controlo Área de Lisboa e Controlo da Terminal Madeira num protocolo de mixidade de Serviços.

Para além de assegurar os Serviços de Tráfego Aéreo, seja de Informação de Voo em espaço aéreo Golf por delegação da NAV Portugal seja de Controlo de Tráfego Aéreo nas áreas militares quando estas lhe estão cedidas, estes Militares garantem a coordenação e eficiência das operações militares e treinos dos meios aéreos da Força Aérea Portuguesa e da Marinha Portuguesa no espaço aéreo Nacional, FIR de Lisboa.

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Quem nunca sentiu a elevada complexidade que representam os exercícios aéreos como o Real Thaw ou o EATT de que o CAVOK.pt tem dado notícia e que representam um grande e exigente desafio no acompanhamento, monitorização e articulação do tráfego civil no espaço aéreo não activo?!

Lisboa Informação, Charlie Alpha Alpha, a passar Fátima.”

Não esgotando as suas funções neste Serviço, os Controladores Militares da EITA fazem parte da Célula de Gestão de Espaço Aéreo de Portugal, assegurando a aplicação eficaz e harmonizada do Uso Flexível de Espaço Aéreo (FUA) cujo resultado da articulação combinada da estrutura dos vários espaços aéreos gera uma optimização de utilização entre o tráfego aéreo civil comercial e tráfego militar para cumprimento das várias missões operacionais nas diversas áreas (LP-R, LP-D, LP-TRA).

O resultado desta articulação vem expresso diariamente na nossa PÁGINA FUA sendo que ainda assim, e usando dessa flexibilidade coordenada, poderá ser alterado dinamicamente a qualquer altura por razões operacionais.

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Apesar de apenas trabalhar o tráfego civil do nascer-do-sol ao por-do-sol os Controladores Militares de Lisboa Informação (Lisboa Mil) assumem prontidão de 24 sobre 24 horas nas áreas militares delegadas, no acompanhamento das missões militares operacionais, de apoio ao controlo civil e finalmente no âmbito das suas competências na FIR de Lisboa como sejam apoio ao Centro de Busca e Salvamento de Lisboa (RCC Lisboa) nas diversas fases de emergência.

Lisboa Informação, Charlie Alpha Alpha irá descer para dois mil quinhentos pés”

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Agora que conhece um pouco mais de Lisboa Informação ou Lisboa Mil e dos seus serviços no âmbito do espaço aéreo nacional sabe que do outro lado da frequência 130.900Mhz no Norte, 123.750Mhz no Centro, 131.050Mhz se estiver no Sul, estão Militares competentes que a todo o tempo monitorizam o seu voo nos radares que funcionam num ambiente LISATM (concebido, desenvolvido e instalado por uma equipa ao serviço da NAV Portugal) e lhe prestam um serviço de excelência.

Não existe portanto “desculpa” para não fazer o seu Plano de Voo, contactar estes profissionais e ter “um par de olhos adicionais” a monitorizar o seu voo até ao local de aterragem.

Lisboa Informação, Charlie Alpha Alpha, com a Pista de Santarém à vista”

“Charlie Sierra Delta Alpha Alpha, Lisboa Mil contacte Santarém Radio uno dois dois decimal seis”

E…uma vez mais, não se esqueça que o seu Plano de Voo e voo apenas ficarão efectivamente terminados quando após aterragem em segurança houver do Aviador ou das Operações do Aeródromo, uma comunicação do local e hora de aterragem para qualquer ARO Lisboa, Porto ou Faro seja por telefone ou qualquer outro meio senão, alguns minutos depois, estes Militares irão iniciar procedimentos de Busca da sua aeronave!!

Bons voos e aterragens seguras.

Luís Malheiro. 24 de Outubro de 2016.

6 comments

  • Nuno Franco

    Bem visto, melhor dito! Gostei do uso de “aviador” em vez de “piloto”. Sou dos que, humildemente, visita LisMil, algumas vezes in loco, a maioria numa das 3 frequências de serviço. E de tal forma me sinto apoiado que, se por algum motivo não se tem comunicação (normalmente por questões de cobertura), quase penso em declarar emergência! Bem-hajam!

  • João Granger

    Nunca entendi porque algumas pessoas vão para o ar sem submeter o seu plano de voo, hoje em dia há tantas possibilidades de o fazer que não há desculpa, é uma segurança para todos os que voam. Eu nunca saí do chão sem ter um plano de voo submetido e já tenho assistido a cenas que me envergonham a mim como aviador, desde aviões a cruzarem áreas reservadas activas sem rádios ligados ou sem responderem a chamadas, intrusões em áreas militares, enfim… tenho um grande respeito por que está do outro lado a olhar por nós e que muitas vezes não é respeitado e que mesmo assim se prontificam a ajudar quem não merece ! Para eles a segurança de todos nós está acima de qualquer outro valor pessoal.
    Obrigado e todos eles !

  • Carlos Miguel Lira Abreu

    a

  • Carlos Alves

    Um trabalho árduo executado por profissionais extremamente bem preparados.
    Um grande obrigado a estes Homens/Mulheres que nos ajudam a voar com mais segurança.

  • Jorge Saraiva

    Desde já quero deixar aqui os meus parabéns pela excelente pagina e sua informação sempre actualizada, uma ajuda sempre na mão. Parabéns!
    Lisboa Informação,
    Tive o prazer de visitar e de perceber o trabalho que lá se faz e como se faz, sem duvida de louvar, obrigado pela vossa presença na informação. Segurança sempre.
    Parabéns!

  • Eduardo Ascensao

    O Serviço de Informação de Voo é um serviço prestado aos aviadores que voam em espaço aéreo não controlado e cuja responsabilidade é da NAV Portugal.
    Por acordo entre a NAV Portugal e a Força Aérea Portuguesa este serviço é prestado por controladores de tráfego aéreo (militares) da Esquadra Independente de Tráfego Aéreo, que trabalham no Centro de Controlo de Tráfego Aéreo de Lisboa.
    A definição da porção de espaço aéreo e o horário em que a prestação desse serviço se encontra delegado reflectem as condições existentes na altura do acordo :
    – sobre terra, excluindo o espaço aéreo sobre os limites laterais das Terminais do Porto e de Faro, e do Sector de Aproximação da Terminal de Lisboa, do chão até FL55 e entre o nascer e o pôr do sol…
    Mas há já muito que o limite superior do espaço aéreo não controlado deixou de ser FL55 … e há também muito que se pode voar VFR depois do pôr do sol … só que, como não contemplado neste acordo, nessas condições não há delegação e o serviço é prestado pelos sectores de área do Centro de Controlo ou pelas Aproximações de Lisboa, Porto e Faro.
    Trabalho diáriamente com estes profissionais… e gosto !

    Quanto ao resto … para voar em espaço aéreo não controlado não são precisas comunicações bilaterais, (nem rádio),nem transponder … enquanto isto não for alterado jamais se poderá instituir a necessidade de plano de voo.
    Concordo com esta necessidade e com a vantagem, atéporque se nota que cada vez mais o voo VFR é feito com olhos postos mais no GPS que no horizonte, que cada vez se voa mais ad-hoc, que cada vez se voa mais depressa …

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