LPVZ – VISEU renasceu

“…Viseu Information, AeroVip 427 na final pista 36
Aerovip 427, Viseu Information Pista 36 livre para aterragem á descrição, vento 350 graus 5 nós”.

Renascia assim quase 4 anos depois, um ciclo de aterragens e descolagens que a população, Municipio de Viseu e muito particularmente o Director do Aeródromo Municipal de Viseu, Comandante Paulo Soares tanto desejavam.

Tendo sido suspensos os voos da linha aérea em finais de 2012, o Aeródromo de Viseu faz parte da renovada rota que liga Portimão a Bragança com voos diários. A aeronave que faz a ligação Norte-Sul tem capacidade para 18 passageiros fazendo o trajecto duas vezes por dia e a rota irá ser assegurada para os próximos três anos pela Aero Vip.

O que me leva a falar do Aeródromo Gonçalves Lobato ou Aeródromo de Viseu não é tanto a ligação aérea ou a parte comercial de que tanto já se falou, mas antes o renovado serviço de AFIS e tudo o que o serve para que, diariamente do nascer ao pôr-do-sol as aeronaves que contactem Viseu recebam um serviço de segurança e qualidade num equilibro de tradição e progresso.

Quem como eu visitou as instalações não só da Torre de Viseu como do “edifício de embarque” em 2013 por altura do Festival Aéreo de Viseu promovido pelo AeroClube de Viseu, olhava para o edifício com nostalgia e tristeza, podendo sentir que a infra-estrutura lutava para se manter digna e limpa. A ausência do movimento aéreo comercial deixou um edifício onde quase só os empregados camarários viviam o desalento do dia a dia.

No entanto nos finais de 2015 as alterações já se faziam notar, não só ao nível das infra-estruturas como nos serviços de apoio ao aeródromo. A tenacidade do Comandante Paulo Soares marcaram de forma indelével a rota da linha aérea e uma renovação histórica de modernidade e segurança a todo o nível no aeródromo. Quem entra agora nas instalações de embarque quase não reconhece o seu moderno e confortável interior.

No entanto as alterações mais profundas são ao nível dos serviços e das ferramentas que o Aeródromo Gonçalves Lobato possui para dar Segurança não só em terra como no ar.

O Director de Aeródromo dispõe de um renovado AFIS, o qual tivemos oportunidade de noticiar em Outubro de 2015, com um maning de cinco AITA’s, Agentes de Informação de Tráfego de Aeródromo, presentes na Torre. Com cursos recentemente frequentados na NAV Portugal, providenciam informação de aeródromo para uma condução segura e eficiente a quem pretende aterrar ou descolar de LPVZ.

A Torre de Viseu está também ela irreconhecível. Mantém a sua estrutura e traça exteriores mas o seu interior marca pela modernidade e excelência dos equipamentos. Rádios da melhor qualidade tanto de banda aérea como os de apoio para contacto com o pessoal de terra, gravador digital das comunicações, estação meteorológica, renovado painel de controlo de iluminação do aeródromo, sistema digital de contacto com o exterior e um inovador conjunto de câmaras de vigilância não só do “lado ar “do aeródromo como monitorização das finais das Pistas 18 e 36.
Este inovador sistema de câmaras de monitorização das finais das pistas permitem que qualquer aviador que pretenda ir a Viseu possa, antes de descolar de qualquer aeródromo, “dar uma espreitadela” a verificar como está a meteorologia possuindo para tal três camaras on line centradas na Torre. Duas direccionadas para cada uma das finais das pistas e uma outra apontada a Norte.

São de facto ferramentas invejáveis e uma mudança radical em termos de Segurança Aérea para quem como eu, utilizei há menos de um ano as instalações aquando do Festival Aéreo de Viseu em 2015.

Lutando para melhor apoiar os voos o Director conseguiu ainda uma viatura de combate a incêndios de grandes dimensões, totalmente operacional e equipada com material vocacionado para salvamento aéreo tendo para tal equipas de Bombeiros preparadas e que regularmente treinam simulacros de acidentes no aeródromo.

Para além do que nos é dado a observar existem uma outra série de melhoramentos que o Aeródromo agora dispõe e que servirão para prestar um melhor apoio ao público e aos aviadores que visitem e utilizem esta facilidade tal como uma revisão no sistema de iluminação de Pistas, protocolos com entidades civis no sentido do apoio ao cliente que utiliza o aeródromo e aquisição de equipamentos e serviços virados para a segurança em terra.

Parabéns ao Município de Viseu por esta grande realização e o Director Paulo Soares pela sua tenacidade e empenho em todo o processo.

Aos amigos AITA’s Manuel Carvalho, Marco Almeida, João Moura, Hélder Marques e Daniel Pereira desejo muito sucesso sempre tendo a Segurança como mote e… até um dia.

Pode aceder ao sistema de câmaras de monitorização das finais na nossa página de LPVZ AQUI.

Bons e seguros voos.


José Rocha

5 comments

  • João Moura

    Obrigado pelas palavras de incentivo! É um prazer para quem cá trabalha e viu este aeródromo dar salto “o” salto neste último ano. Acho que LPVZ é mesmo um bom aeródromo para se aterrar.

  • Arlindo Martins da Silva

    Caro José Rocha:
    Como sabes sou um garnde admirador do teu profissionalismo mas, isso não me impede de te contestar quando “apostas no cavalo errado. Sempre fui um crítico da “linha aérea dos deputados” hoje, tal como no passado.
    Mas, isso será tema para outras conversas em breve.
    No que toca ao aérodromo de Viseu, ao seu proprietário CMV e ao seu director, gostaria, para já, adiantar o seguinte:
    A CMV escolheu para director do aérodromo um ex-piloto e ex-vice-presidente da autoridade aeronáutica, o que só pode ser de louvar, mas isso traz responsabilidades acrescidas ao seu director.
    Não é com floriados que se garante a segurança aérea. Se falamos de aviação de laser, qualquer coisa serve, porque o onus da responsabilidade, está nas mãos do operador, mas quando falamos de aviação comercial, com a responsabilidade de cumprir horários e transportar passageiros em segurança, não basta pintar as fachadas, montar areas de segurança com GNR´s armados até aos dentes e bombeiros em cada esquina e AITA´s a postos. A segurança está em primeira mão na aeronavegabiliadde da aeronave (responsabilidade da operadora e da autoridade aeronáutica) na qualificação das tripulações (da responsabilidade da autoridade aeronáutica) e nas rádio ajudas do aeródromo(da responsabilidade do seu proprietário).
    E, é aqui que eu quero chegar. O director do aeródromo e o seu proprietário andam a gastar o dinheiro, atirando-o pela janela em pseudo-seguranças quando o mais importante, rádio ajudas para permitir aterragens seguras, é relagado para segundo plano ou, pura e simplesmente ignorado.
    Bem sei que me vão garantir que o aeródromo está certificado em Classe “qualquer coisa” e cumpre com as normas EU.
    E que me interessa isso, quer como passageiro, ou contribuinte, quando compro um bilhete e demoro 10 horas a chegar a casa, “de automóvel”?
    E, embora as tripulações estejam altamente qualificadas, são humanos e sentem a presão de cumprir a missão, e quem me garante que não cedem à tentação de ultrapassaros minímos de aproximação (atestam-no os incidentes ocorridos em Braganaça, uma vez levaram os cabos de alta tensão agrrados ao trem e doutra vez – ainda LAR – deixaram o avião no meio da estepe). É por isso que o Senhor Director do Aeródromo de Viseu, Senhor Comandante e Dr. Paulo Soares merece NOTA NEGATIVA, porque sendo um ex-piloto e ex-vice-presidente da autoridade aeronáutica tinha por obrigação saber o que é mais importante para a segurança aérea e recusar o cargo, em lugar de andar a “brincar” aos aviões.
    Para quem lè este meu desabafo e não esteja por dentro das lides aeronáuticas, devo referir que em Viseu, como em V.Real e Bragança falta um ILS que é extremente caro na compra e na manutenção, mas Ponte de Sôr tem um e Beja também e não me consta que Viseu tenha menos recusros que Ponte de Sôr ou beja, onde não opera nenhuma linha aérea.
    Aplaudiria com agrado, se o Senhor director versus CMV, tivessem a iniciativa de colcar ao lado dos floreados com que decoraram a aerogare, O PREÇO DE CADA BILHETE, sendo que, entre aquilo que o passageiro paga., há que acrescentar os fundos comunitários e nacionais no valor de 7,2 milhões mais as despesas, com aGNR, Bombeiros, AITA´s, Manutenção de Infra-estruturas e equipamentos, etc, para um volume de 10.00 passageiros/ano.
    Num país com tantas desigualdadas, acções destas são UMA VERGONHA!

    • Tadeu

      Este deve ser aquele senhor pilotaço que operava a partir de uma pista que se encontrava oficialmente encerrada.

  • Jose Costa

    Próximo passo, para pagar isto tudo, TAXAS de aterragem, é lá fica o aerodromo ás moscas, como em exemplos bem conhecidos.
    Quanto ás ajudas rádio, já não são precisas hoje em dia, até alguns Aeroportos importantes estão a prescindir delas, hoje é tudo em grande maioria RNAV, estava na hora de publicar umas aproximações RNAV para os aerodromos secundarios, e exigir aos operadores de passageiros aeronaves e tripulações qualificadas em conformidade, é muito mais barato.

    • Manuel Carvalho

      Caro Sr. José Costa,

      No Aeródromo de Viseu à vários anos que estão em vigor taxas, como facilmente poderá constatar no Regulamento Municipal. Taxas essas que estão desatualizadas e desadequadas pelo que se pretende alterá-las, baixando-as, e substancialmente. Aliás, pretende-se atualizar as mesmas como já foi atualizado o preço da gasolina que é agora a mais barata, só sendo suplantada por Ponte de Sor, que representa e faz uma importação direta de uma gasolineira.

      Quanto ao que refere das ajudas rádio, tem toda a razão. Contudo, posso adiantar-lhe que já foram iniciados os procedimentos para a reativação das aproximações VOR, bem como estão em curso os processos de criação e certificação de aproximações GNSS. Também a recertificação do voo noturno será uma realidade que muito se aguarda.

      A Camara Municipal de Viseu tem como grande ambição tornar o Aeródromo de Viseu uma nova porta ao desenvolvimento do Concelho e da Região, mas tem consciência e está balizada na racionalização e otimização dos recursos disponíveis. O Aeródromo irá crescer à medida das necessidades e da sua capacidade de melhor servir os Visienses, a Região e a Aviação como um todo.

      A direção do Aeródromo e a Camara Municipal de Viseu pretendem receber TODA a comunidade aeronáutica de braços abertos. Num ambiente de harmonia e sã convivência, o que implica o respeito pelas regras e normas de segurança. Hoje já coexiste em LPVZ o transporte aéreo regular, a aviação geral, os ultraleves, o voo livre, o aeromodelismo e até os testes de drones, mesmo dentro de uma ATZ. As regras e normas são conhecidas, divulgadas e por vezes alteradas por sugestão dos intervenientes interessados, pois TODOS querem voar na máxima segurança.

      Sei, que todas as chamadas de atenção, alertas e sugestões, com vista à melhoria das condições de operação de LPVZ têm sido muito bem recebidas, tanto pela direção do Aeródromo como pela Camara Municipal, se apresentadas de uma forma séria e leal, pelo que não hesite se tiver alguma para apresentar, (eu já o fiz).

      Bons voos para TODOS de, em, e para LPVZ, cá os esperamos.

      Manuel Carvalho
      Coordenador do serviço AFIS

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