Os óculos…

Aquela imagem intemporal do piloto TopGun com os seus RayBan não é só imagem, é uma necessidade.

Os óculos de sol protegem o mais importante para o piloto, a visão. A radiação solar nomeadamente os raios UVA e UVB (os UVC por enquanto são filtrados pela camada de ozono) provocam, quando a exposição é excessiva, lesões da pele e dos olhos. Neste ultimo caso com risco de perda de visão pelo aparecimento de catarata e de lesões da retina.
O efeito é cumulativo, quanto maior a exposição maior o risco.

A bordo do cockpit, independentemente do seu tamanho, o uso de óculos de sol é importante.

Devem possuir protecção UVA e UVB de 99 a 100%. A cor cinzenta é a mais neutral pois distorce menos as cores. O material ideal é o vidro, mas tem o inconveniente de ser mais pesado e quebrar facilmente. As lentes plásticas modernas tem excelente qualidade óptica são leves e resistentes ao impacto.

Não é demais frisar que o mais importante é possuírem filtro UVA e UVB adequado.

Obviamente que nem todos os pilotos vêm bem. Há os que são curtos de vista (miopia) e aqueles que vêm a muitas milhas de distância (hipermetropia). Em ambos os casos estão obrigados a usar óculos, que de dia deverão ser de cor com boa protecção UV e de noite incolores, devendo a bordo existir sempre uma par de reserva.

Quem usa óculos pode recorrer, para protecção solar, aos adicionais que se prendem no topo da armação. Aqueles mais avançados na idade têm o problema adicional de olharem para o painel e não perceberem (nem todos) a que velocidades cortam o ar. Esses precisam de uma correcção adicional para perto (são os presbíopes, ou seja os “velhotes” que ainda voam). Destes últimos os que vêm bem de longe, podem usar apenas aqueles meios óculos, que permitem ver por cima para longe. Mas, na minha opinião, a correcção será preferencialmente progressiva o que permite visão de longe, intermédia e de perto, sem trapalhadas de troca de óculos e que recomendaria especialmente a quem faz voo visual, por razões óbvias, pois além do mais, devem ser de cor.

As lentes de contacto para correcção da visão de longe são também uma solução aceite, permitindo o uso de óculos de sol neutros. Esses pilotos deverão ter sempre a bordo uma par de óculos com a correcção, caso haja algum problema com as lentes.

Já as lentes de contacto progressivas não são aceitáveis, por várias razões, entre elas a perda de visão de contraste que provocam.

Se têm dúvidas visitem o oftalmologista.

Da próxima vez que for ao Aeródromo ou Campo de Voo, quero ver o pessoal todo de óculos escuros.

João Pinheiro

9 comments

  • Francisco Santos

    Bom dia aviadores

    Fazia então um voo de lazer entre XX e XX a determinada hora do dia, voo visual.

    Voava na proximidade de uma cadeia montanhoso, aquela hora do dia a cadeia montanhosa apresentava-se obscurecida, na minha rota.

    Como há minha esquerda o céu estava cavok para lá me dirigia.

    Alguém há minha direita perguntou-me para onde ía???pois que tinha o nariz da aeronave virada para X.

    Fiquei desorientado pois que ninguém voa para o escuro.

    Valeu-me o meu companheiro de viagem que trazia óculos de sol.

    Esse mesmo meu e nosso companheiro ao qual lhe presto a minha mais sincera homenagem, já não está entre nós, porque em consequência de um acidente aéreo motivado pelo encandeamento solar, ensinou-me e deve ensinar-nos a nós todos os pilotos aviadores, que os óculos protectores dos raios solares, não é uma vaidade de pilotos, mas sim uma necessidade absoluta e intransmissível.

  • Pedro Cruz

    Além da saúde e da higiene oculares (termos que ainda suscitam alguns sorrisos), os óculos podem ser, num caso extremo, uma protecção fundamental relativamente a fragmentos ou estilhaços que resultem de um bird strike. Nesse sentido, já há muito que considero começar a utilizar ocúlos de protecção balística, em particular os que têm lentes escamuteáveis, desde as escuras mais convencionais às lentes sem cor, para o voo nocturno, por exemplo. (ou ainda amarelas para o nevoeiro, se bem que não tão aplicáveis em voo, naturalmente).

  • Pedro Ferreira

    Bom artigo, mas omisso, a meu ver em relação a dois detalhes muito importantes para aviadores.

    Cuidados e riscos com o uso das lentes fotogray e as vantagens das lentes polarizadas.

    • Jose Costa

      As lentes polarizadas nos aviões de linha devido ás diferentes camadas de vidro e ao aquecimento do mesmo não deixam ver para fora.

  • Jose Costa

    Eu uso oculos bifocais, afinados para que a parte do longe e do perto se unam na zona do inicio do painel de instrumentos. Funciona muito bem. Já experimentei progressivos e não me adaptei, se bem que existam umas lentes especificas para condução, em que o corredor de progressão é diferente das normais. Usei uns desses e gostei, mas infelizmente ficaram perdidos dentro de um avião.
    Tenho um par de escuros bifocais para muita claridade. Em tempos usei uns laranja,mde alto contraste que funcionam muito bem naqueles dias de bruma forte com sol de frente.

  • Tiago Miranda

    Boa tarde,

    Desde já, agradecer o excelente artigo de leitura fácil, compreensível e que explana bem a necessidade do uso de ortose ocular, vulgo óculos, sejam eles escuros ou normais por necessidade não meramente da acuidade visual. Ainda referindo aqui o comentário do Sr. Pedro Ferreira, os óculos com lentes polarizadas estão “contra-indicados” para o voo, ainda que VFR, há aeronaves cujos instrumentos já são modernizados e cujo display é electrónico, sendo que a polarização das lentes irá deturpar a visibilidade dos mesmos.

    Não ligando à publicidade do site que aqui vos partilho onde é possível ver (ou melhor, não ver) o efeito das lentes polarizadas

    https://www.z-xg.com/zxg-vs-polarized

    Saudações aeronáuticas e continuação de bons e seguros voos,

    Cumprimentos

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