Asa Delta em Peniche – the pleasure flying all day long

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Nos idos início dos anos 80 do séc. XX, a minha paixão era voar de Asa Delta sem motor e continua a ser, como já vos contei na minha saga no CAVOK.pt – Gosto Muito de Aeronáutica Porquê? em cinco Takes, mas agora já não tenho físico para isso, uma chatice a famosa PDI…

Bem entrando na história, eramos um grupo de cerca de 20 pilotos de asa delta e respectivas famílias, namoradas, amigas, filhos, etc. e havia uma problemática, aquilo cansava muito!

Tínhamos de arranjar uma forma de fazer o famoso 4 em 1 = a família ficar bem disposta + não nos cansarmos + voar todo o dia sem ter de desmontar, transportar, montar cada vez que queríamos fazer um novo võo + estar na praia.

Rapidamente alguns dos inteligentes da altura, começaram a procurar, onde se poderia voar em võo livre (sem motor) em conforto ao pé e a falar com a família o dia todo sem parar. Parece impossível?!? Mas não é!

CAVOK.ptEncontraram junto á praia de Peniche, mais propriamente na Av. Monsenhor Bastos na Praia de Peniche de Cima, uma duna com cerca de 10 metros de altura, reforçada artificialmente, com cerca de uns 700 metros de comprimento, paralela à praia, que no seu cimo tinha um caminho de terra batida ao seu comprimento, a dita cereja em cima do bolo.

A notícia espalhou-se e naqueles fins de semana em que o pessoal queria voar numa tranquila sem competição, encontrámos um local que era um paraíso.

É uma zona ventosa, mas como o vento vem do mar, vem certinho e sem turbulência nenhuma.

A vista era linda, uma grande praia em frente, à nossa esquerda o forte de Peniche e à direita o istmo do Baleal.

Por trás a cidade de Peniche, com muitas tascas e restaurantes, onde se come óptimo peixe grelhado.

Assim chegávamos de manhã, levávamos os carros para a estrada de terra batida, cerca do topo da duna, estacionávamos com vista para a praia, o pessoal ou ficava no carro ou ia para a praia e nós retirávamos as asas do suporte do carro, colocávamos no chão em cima do topo da duna e começávamos a montagem dos equipamentos.

Retirar a asa do saco de transporte, colocar as ripas, verificar os cabos de sustentação, verificar se o dracon e a superfície da asa estava em condições, montar o triangulo, verificar arnês, colocar capacete e óculos.

Depois desta fase e resolvidas as questões fisiológicas e de beber água, pedíamos ajuda a 2 colegas para alinhar a asa delta no cimo da duna e alinhada ao vento (contra o vento) e descolávamos virados e com vista para a praia, mantendo uma altitude de 2 a 5 metros do topo da duna, usando a orografia como fonte de energia, em movimentos esquerda direita com uma amplitude equivalente ao comprimento da duna pouco menos que 1 km.

Era uma cena muito bonita de se ver, porque fazíamos com as diversas asas um movimento sincopado lento, que atraia muito público, com as cores das asas e os pilotos a poucos metros das nossas cabeças, falávamos tranquilamente em voo com a família e os amigos e entre nós, onde o único barulho era a rebentação das ondas na praia e o vento a assobiar nos cabos das asas…

Assim se passava mais um bom dia de praia, em que praticamente fazíamos 2 voos 1 de manha, intervalo para almoço e mergulho e um voo à tarde.

Engraçado, sem motor e voávamos, voávamos, o quanto quiséssemos…

Infelizmente, eu não tenho fotografias desta experiencia para vos poder demonstrar o lindo que era.

E assim se passaram muitos bons dias na praia !

Fim

David Ferreira

27/12/2015

 

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