Um grande dia na Praia

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Artigo de opinião – David Ferreira

Era uma vez, um aficionado aeronáutico nos idos anos 80, mais propriamente no ano de 1986, que tinha muito pouco tempo para voar e só no fim de semana, mas como tinha mulher e filho, tinha um grande problema a resolver…

Mas para tudo, há uma solução a contento!

Então estávamos no sábado de manhã, a família queria ir à praia e eu queria furiosamente pilotar… tudo bem!

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Agarrei na família, no jipe com o atrelado com o trike e a asa delta em cima e lá fomos à praia. Estávamos em Agosto, estava um dia de sol e calor lindo e decidimos ir a Porto Covo, uma zona na costa alentejana muito bonita, à época com pouca gente, que tinha uma ilha em frente a Ilha do Pessegueiro e um pequeno castelo na costa.

Para ter companhia e apoio “psico-aeronáutico” trouxe também o Zé Manuel que vinha acompanhado e lá fomos.

Dirigimo-nos à Praia do Queimado que tinha uns trilhos de acesso à praia, diminuímos a pressão dos pneus e chegámos à praia. Parámos o Jipe com o atrelado e o equipamento na areia. Felizmente estava uma maré baixa excelente, que nos permitia poder usar uma pista com areia molhada com mais de 300 metros de comprimento e desimpedida de banhistas.

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Assim as meninas e o meu filho ficaram na praia a divertirem-se e eu e o Zé Manuel ainda ficámos muito mais divertidos na mesma praia a montar a aeronave para poder voar.

Foi o chamado 2 em 1, com sucesso para todos!

Depois de montar o equipamento e fazer o check da asa e do motor, colocámos em funcionamento à mão o Rotax 440 a 2 tempos, de fato de banho, ainda molhados do último mergulho e posicionámo-nos para descolar na areia molhada, experiência que ainda não tinha tido.

Alinhados com a praia e junto à água lá descolámos com a potência máxima a dizer adeus às meninas e começa a rolagem “semi-aquática”, onde primeiro que tudo, aprendi de que convém não tirar os guarda lamas das rodas da aeronave. Era uma chuva de água salgada por todos os lados.

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A 2ª aprendizagem, foi de que a areia pode estar muito molhada ou pouco molhada, mas que exige muito mais pista de descolagem do que uma situação normal.

Se a areia estiver molhada de mais pode a roda dianteira mergulhar de mais e é um “capotanço completo” se a areia estive demasiado seca pura e simplesmente por muito motor que tenhamos, atascamos e ficamos no mesmo sítio.

Portanto a atenta observação da situação, inclinação e resistência da areia, é vital para não haver azares, ao utilizar a praia como pista de descolagem.

Bem lá descolámos, bem molhados, mas como estava um dia bastante quente, acabou por ser agradável e começámos um dos muitos võos que fizemos nesse dia.

Vista da aeronave praia pronta a descolarPrimeiro voámos paralelo à costa, com uma brisa vinda de mar, quase ao ralenti, turbulência zero, sentido norte sobre a vila de porto covo e o seu pequeno castelo, depois seguimos sobre o mar para a ilha do pessegueiro, que é perto da costa e de uma beleza indiscritível.

Depois de 2 ou 3 vôos, lá pensamos na problemática do almoço e lá nos metemos na aeronave em busca de local para aterrar junto a Porto Covo, para ir ao supermercado, assim foi e encontrámos um parque de estacionamento automóvel que tinha uma via desimpedida mesmo à conta e a subir para colocar la máquina.

Depois da ida ao super aeronauticamente, regressámos ao parque de estacionamento, fizemos um back track, neste caso verdadeiramente literal, em marcha a trás a pé com a aeronave, reposicionámo-nos novamente no princípio do parque de estacionamento, “fogo à peça”, passámos a rasar sobre o castelo, direcção ao mar, 180º e de volta à nossa linda praia.

 

Descolagem Porto CovoAterrámos, desligamos motor, retiramos as “comezainas” e toca de fazer um grande piquenique na praia, junto ao jipe e à aeronave!

Depois do almoço e dum banho retemperador, toca de ligar a máquina e fazer os derradeiros vôos desse grande dia na praia.

Ao fim da tarde recolhemos as trouxas, arrumámos a aeronave no atrelado e no jipe e começamos o regresso pela praia…

Ao regressar, encontrámos um casal no seu automóvel em estado de pranto, porque viram o nosso carro na praia e pensaram que não havia problema e tentaram dirigir-se ao local onde nos encontrávamos depois do almoço. Claro que o automóvel atascou-se imediatamente na areia e ficou assente com o chassis, depois da atitude normal e irreversível do condutor de insistir em tentar sair, depois do carro ficar atascado.

Não tínhamos cabos, dissemos que o melhor era tentarem encontrar um tractor que os tirasse da situação. Mas não, estavam já tão stressados, que nos suplicaram para os retirar daquela situação. Bem nunca me tinha acontecido, coloquei o meu jipe na traseira do carro, encostei os para-choques e “fogo à peça”… ou melhor “pise no pedal”, bem o carro lá sair saiu, mas ao longo do processo  a sua traseira foi encolhendo e ficou bastante amachucado…

Porto Covo á Vista

E assim acabou o grande dia na praia.

 

Nota Importante: Actualmente, é proibido andar de viatura 4X4 na praia, é proibido descolar e aterrar na Praia em Portugal… e como é óbvio também não se pode ir ao super de avião…

David Ferreira

 

26/12/2015

4 comments

  • António Lourenço

    Dia espectacular sem dúvida!
    Belos tempos.

    António Lourenço
    (Piloto de ulm)

  • António Rocha

    Seguramente outros tempos…
    David, fiquei intrigado com ciclo de maré: Se estava vazia de manhã, era das grandes e subiu… Foi esse o slot do supermercado?
    Gostei! 😄

  • Jose Miguel

    Fantastica aventura! Deviam ser realmente outros tempos 😀 faz.me pensar que estamos quase numa versao BushFlying Alaska!

  • Pedro Gomes

    Ahhh caramba! Que grande dia que foi! SAUDADES DESSES TEMPOS!

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