Alguns Poucos, Novos ou Velhos Pilotos

CAVOK.pt

Artigo de Opinião

 

Dentro da nova vaga de pilotos de ultraleves tenho assistido, com preocupação, há aparição de alguns, chamados os verdadeiros artistas, com tipologias diferentes, normalmente não são jovens, felizmente uma minoria.

Como um velho, diria que, no meu tempo não era assim.., mas isso pouco interessa.

Uma das caraterísticas essenciais de um piloto é a sua condição permanente de estar sempre a aprender, dado que, com os mais pesados do que o ar, como se diz nunca fiando …

Neste contexto para um piloto (de qualquer tipo ou idade) é preciso ser curioso, interessado, informado, entrar no clube dos entusiastas da aviação (“enturmar-se) e ter a percepção de quem é piloto, tem como única afinidade com os demais, essa mesmo. Pode ser rico, pobre, arremediado, intelectual, “ingenheiro”, médico, piloto de companhia aérea ou qualquer outra coisa, mas como piloto é um “coitado” exactamente igual aos demais.

Aqui entroncamos com o tema, de que alguns ou com mais dinheiro, numa pseudo-posição social, ou numa temporária posição profissional mais elevada, pensam que acabando o curso de piloto, são os maiores.. E pretendem que apresentando-se como Pilotos ainda subam mais na escala.. Não sobem, Não são ! Normalmente são um perigo “perigoso” a evitar. (qualquer que seja a profissão que exerçam)

Têm como caraterística, saberem tudo, terem muita soberba, muito vaidosos, pouca ou nenhuma integração no meio aeronáutico (que obviamente tem tendência a expurgar o que não lhe agrada, de forma implícita ou explícita), pouco respeito e normalmente nunca ouvem as recomendações dos pilotos ou instrutores com mais experiência e pretendem voar onde e como não podem.

Outra característica é que pretendem sempre, ter algo que os outros não têm, portanto algo melhor, mais rápido, mais bonito, único, (o que em si não é pecado) nunca mesmo, ouvindo as recomendações dos que comercializam aeronaves em Portugal.

Assim a primeira coisa que fazem é procurar grandes negócios com descontos excepcionais directamente aos fabricantes, sem passar pelos seus representantes no País. Se não conseguem vão a Espanha ou a França a um dealer fazer a “marosca espertalhona”. Claro que, coitados mal sabem que este negócio é miserável e as margens são ridículas, saindo sempre a perder, porque, não esquecer, que depois querem apoio local e aí depois caem-lhe em cima no caso de aceitarem… ( aquele ditado popular que não me lembro da eira e do nabal..)

Isto não entrando no capítulo dos impostos a declarar, mas por aí, não é a minha área.

Um interlúdio, claro que como alguns sabem, isto tem a ver com o carácter das pessoas, a sua educação e estarem num meio fora da sua profissão, onde aí sem qualquer dúvida verdadeiramente se revelam, é incrível que não percebam o ridículo a que se sujeitam e como é um meio pequeno, tudo se sabe… Isto muitas vezes quer dizer, que têm recalcamentos e foram mal tratados, pelo que agora “toca” de fazer o mesmo aos seus pares pilotos.

Continuando a saga, depois vem a escolha da Aeronave, a dita! aqui é um “fartote”, por defeito, escolhem uma aeronave que não exista em Portugal, depois como diria, já agora pretendem representar a aeronave no País, assim para além de ser dono de um avião, comercializo aviões, “grande pinta” e quaisquer serviços extra em Portugal, terão sempre de ser de borla.

Portanto, resumindo experiência de conhecimento de aviação e como piloto zero, qual é a atitude resultante?:

– comprar avião que não existe no País;

– sem apoio técnico, experiência e representação;

– escolhe uma aeronave de grande performance;

– de tipologia só para pilotos muito experientes;

– instalar um painel de instrumentos de um Boeing 747;

– comprar à fábrica;

– pagar mais caro;

– rapidamente começar a levar a família e os amigos a voar;

– pensam que adquiriram uma aeronave comercial para uso intensivo.

É evidente, para qualquer ser humano mínimamente avisado, mesmo sem ser do meio, que o resultado destas atitudes relatadas é o chamado desastre pré-anunciado. Mas é um desastre para todos, porque depois quando acontecem os acidentes, somos todos prejudicados, dado que como bem sabem, se uma aeronave bimotor ou quadrimotor tiver um acidente em Portugal, na comunicação social, ou foi uma avioneta ou um ultraleve. Isto afasta totalmente as pessoas e as nossas famílias da Aviação, o que acho, é exactamente o oposto do que, queremos.

Claro que depois do caldo entornado se sobreviverem, a culpa, era sempre da aeronave, da avaria, da potência e coitados, etc e tal, a cena lusa normal Fado, Futebol e bom Vinho.

 

Eu, desculpem-me sou velho e rezingão, este artigo destina-se somente àqueles que queiram aprender e conhecer melhor a raça humana, mas gosto muito da aviação, há mais de meio século, respeito e aprendo sempre com os meus colegas, mas não gosto absolutamente nada dessa gente!

David Ferreira

11/09/2015

 

6 comments

  • PAULO RIBEIRO

    Simplesmente bem escrito, didático e assertivo.
    Apesar de ciumento (por não ter sido eu a escrever) rendo-me a este texto.
    Obrigado David Ferreira.

  • Alvaro matos

    Absolutamente verdade….e como não faltam exemplos por este cantinho á beira mar plantado!! Exemplo em demasia, diria eu.

  • José Luis

    Isto parece-me um recado bem direto para uma, ou vá lá, no máximo duas pessoas.
    A quem servir a carapuça que faça bom proveito 😉

  • Nuno Rebelo

    Meus caros, gosto também muitas vezes de deixar os meus “dois cêntimos” de contribuição. Acho que o artigo está muito bem escrito e muito claro, mas… não concordo com tudo!!

    Digamos que ao melhor estilo analítico do “ingenheiro” este texto tem duas partes: a 1ª e a 2ª (e esta já é uma análise inteligente!!).

    Começando pela 2ª, aquela onde se fala da “outra característica é que pretendem sempre ter algo que os outros não têm, portanto algo melhor, mais rápido, mais bonito, único, (o que em si não é pecado) nunca mesmo, ouvindo as recomendações dos que comercializam aeronaves em Portugal”, pois com esta parte, e tudo que vem depois disso, estou 100% de acordo e “assino por baixo”!

    Mas da 1ª parte… aí já não estou de acordo!
    Em primeiro lugar não acho que os “menos jovens” (como eu!) que andam a tentar ser pilotos sejam uma minoria! Mas mesmo que fossem uma minoria, não acho que isso seja mau em si mesmo!
    Por outro lado, o que tenho visto nesses “menos jovens”, é exactamente o contrário do que está escrito! É malta curiosa e interessada, nunca vi grandes doses (nem mesmo pequenas) de “muita soberba” ou “muita vaidade”. É claro que existe alguma vaidade por se ter finalmente aos 60 anos de idade conseguido “chegar” onde se gostaria de ter chegado muito mais cedo, mas talvez não tivesse havido “tempo” para tal!! Mas não acho de todo que os “menos jovens” sejam menos interessados, ou menos preocupados em aprender, ou em “enturmar-se” mais nestas coisas da aviação. Muito antes pelo contrário…!!! Falo por mim, mas falo também pela “atitude” que vejo nos outros pilotos “menos jovens” com quem tenho o prazer de conviver!

    Antecipadamente peço desculpa se os meus comentários de devem a uma má leitura, ou interpretação, do que foi escrito! E agora termino porque tenho umas coisinhas de aviões para ir estudar 🙂

  • Arlindo Martins da Silva

    Caro David Ferreira, apenas uma correcção. Quando dizes: “Comprar avião que não existe no país”, na realidade deverias querer dizer, Ultraleve ou, aeronave, porque avião é só aquele que tem um Certificado de Aeronavegabilidade e para estes, está tudo super Regulamentado (in)felizmente.

  • Henrique Anes Gonçalves

    Caro Arlindo Martins da Silva, faça o favor de me esclarecer uma dúvida: onde está descrita essa definição de Avião e já agora as definições de Ultraleve e de Aeronave. Os meus agradecimentos.

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