Uma Espécie de Reportagem – Aeródromo da Amendoeira e seu Enquadramento

David Ferreira Em Montemor-O-Novo

Artigo de Opinião

O cavok.pt, continua sempre em aprendizagem de novas modalidades aeronáuticas e em trânsito pelo nosso País…

Após alguns contactos, lá conseguimos o acesso ao Director do Aeródromo da Amendoeira e Vice-Presidente da Câmara Municipal do Concelho de Montemor-O-Novo, João Miguel Amaro Marques e combinámos um encontro com uma espécie de reportagem

Montemor-O-Novo, é um dos maiores concelhos portugueses, pertencendo ao Distrito de Évora, tendo tido um desenvolvimento cívico e económico de assinalar e uma preocupação na preservação do seu acervo cultural e histórico, invulgar.

Foi a nossa primeira vez, a visita a esta cidade!

Esta cidade, tem uma origem remota, visigótica… desconhecendo-se o seu nome posterior em árabe, designando-se em 1181 como “Montem Mayoren” passando mais tarde a chamar-se “O-Novo” para se distinguir de Montemor-O-Velho perto de Coimbra.

Cerca da cidade está instalado o Aeródromo da Amendoeira, uma infraestrutura certificada pelo ANAC, com uma pista em asfalto e onde está localizada o CVL – Centro de Vôo Livre.

O CVL – Centro de Vôo Livre é uma associação sem fins lucrativos dedicado ao Võo à Vela. Neste centro proporcionam um primeiro com contacto com o võo de planador, cursos de piloto de planador, de instrutor de planadores e de rebocador de planadores e a possibilidade de voar em aeronaves a cargo de CVL. Seja sócio de CVL e aproveite os benefícios desta infraestrutura e belíssimo lugar para voar a 1 hora de Lisboa.

Lá prosseguimos a viagem de Sintra para Montemor-o-Novo de automóvel, uma viagem de 1 hora e 30 minutos, de forma a estar no local aprazado, pelas 14 h da tarde de Domingo. As perspectivas de tempo foram muito boas, apesar do frio reinar.

Mais uma vez, lá conseguimos o apoio da fotógrafa Filipa Lindmark, que ajudou a recolher as imagens, que são muito importantes para informar e dar o ambiente do local aos nossos leitores.

Chegámos cedo e fomos almoçar à cidade de Montemor-o-Novo ao restaurante que localizámos como “um dos a visitarA Ribeira do Carlos Carriço. Após entrar no restaurante às 12.15, estava tudo marcado, mas lá conseguimos um cantinho, só até às 13.30… Mesmo aqui há Restaurantes, sempre reservados… pelo que devia ser bom. Um dos seus “musts” é a ementa ser apresentada de forma cantada pelo seu dono, só visto. A comida é excepcional para um citadino e a conta extremamente reduzida. Vale a pena visitar, mas reserve, senão fica à porta.

Depois do almoço, ainda cedo para a aprazada reunião, fomos a Montemor-O-Novo visitar o que nos sobressaiu à vista, o seu imponente castelo. Este castelo, tem uma área bastante grande e fica no ponto mais alto da planície (Monte-Mor), tendo uma vista soberba sobre o montado alentejano e a cidade propriamente dita. Tirámos muitas fotos, principalmente na vertente que está em ruínas, o que foi muito produtivo, fotograficamente falando.

Pelas 14.00, chegámos ao Aeródromo da Amendoeira que fica a dez minutos de carro da Cidade de Montemor-O-Novo.

Ao chegar o movimento era bonito de se ver, uma Super CUB das verdadeiras, um clássico dos anos 60, a rebocar um planador e outro já em espera para descolar. Um aeródromo numa verdadeira pradaria alentejana, com uma pista em asfalto, com vários hangares e um edifício central com várias salas de reunião, formação e de briefing, um pequeno bar e os WC´s. Tudo novo a estrear.

Estavam várias aeronaves ULM e GA estacionadas e planadores montados e muitos nos reboques respectivos. Achámos curioso o número de planadores de registro alemão.

O CVL – Centro de Võo Livre, estava de facto a “bombar” e o seu Presidente, que conhecemos e vimos em prática, o Comandante Sá Correia, rebocava os planadores e falava connosco nos intervalos. Um verdadeiro personagem aeronáutico, com uma experiencia de 48 anos como comandante de longo curso, em diversas companhias aéreas e um dos principais impulsionadores deste projecto de desenvolvimento aeronáutico, do Novo Aeródromo da Amendoeira.

Comandante Sá Correia

Comandante Sá Correia

Para nos aprimorar o gosto pelo vôo à vela, tivemos imediatamente, sem pedir, a oportunidade de fazer um vôo com o piloto, instructor e Vice-Presidente da Câmara de Montemor-O-Novo, João Marques, que se predispôs a levar a Filipa Lindmark nossa fotógrafa, para um voo onde pudesse para além de disfrutar da experiência, tirar fotografias para a reportagem do CAVOK.pt.

João Marques Instructor e VP da CMM

João Marques Instructor e VP da CMM

Como se processa a “cena” do voo dos planadores à nossa vista:

Os planadores são colocados no princípio da pista e devidamente alinhados, os pilotos verificam a aeronave, colocam o paraquedas pessoal e sentam-se nos seus lugares respectivos (os bilugares), colocam os cintos de segurança, ligam e regulam os instrumentos.

Os ajudantes á operação, colocam o cabo de reboque, fixado no nariz do planador e fixado na cauda do avião rebocador, que lentamente estica o cabo, até ficar tudo a postos.

Quando estão todos prontos, via rádio, é dada a ordem de descolagem, aqui um dos ajudantes segura a asa do planador até ela começar a sustentar-se sózinha (dado que só têm trem de aterragem fixo e central, neste caso) e o avião rebocador dá “fogo à peça”.

A descolagem é duplamente bonita, onde o planador começa a voar primeiro, a técnica é o planador estar sempre no alinhamento do rebocador e ligeiramente acima, de modo a ajudar a descolagem e ascensão e evitar apanhar a turbulência provocada, pelo hélice do rebocador.

O vôo de Planador

O vôo de Planador

Depois da descolagem dá-se a ascensão até à altitude pretendida de largada, por parte do planador.

Quando atinge a altitude pretendida, o piloto do planador, por acionamento de uma manete procede ao desengate do cabo e fica livre no ar, com o seu maravilhoso silêncio.

Depois desta fase o avião rebocado dirige-se rapidamente para a pista e longitudinalmente procede à largada do cabo de reboque na pista, que é recolhido pelos ajudantes.

Para conhecermos melhor a história do Aeródromo e do CVL, tivemos uma prolongada conversa com o João Marques, que nos inseriu de forma sintéctica a Montemor-O-Novo e ao Aeródromo, com os seus projectos para o desenvolvimento sustentado da aeronáutica de laser no seu Concelho, que iremos tentar dar conta, aos nossos leitores.

Apesar da nossa experiência neste sector, é a primeira vez que conhecemos um dirigente autárquico, que seja piloto e instructor activo em Portugal, simultaneamente!

Montemor-O-Novo hoje e o seu Aeródromo

 

O Município está inserido nos 14 existentes no Alentejo Central, situado no distrito de Évora a uma distancia de 100Km de Lisboa (1hora de automóvel) com 1200Km2 de área, sendo o 7º maior do País, tendo uma população de 18.000 habitantes distribuídos por 10 freguesias. Na cidade habitam 10.000 habitantes, portanto estamos perante uma situação de gestão camarária complexa, devido a poucos contribuintes, pouca construção imobiliária, o que significa poucas receitas, para uma área desta dimensão e dispersão.

Em termos de desenvolvimento económico, o sector terciário tem a primazia (sector dos serviços) seguido dum relançar do sector secundário e uma reformulação e crescimento do sector primário, com a actividade agrícola e a importância crescente da actividade agro-pecuária.

Uma aposta no desenvolvimento da área cultural no suporte à criação e à criação artística propriamente dita, com um programa activo de cerca de 300 eventos culturais por ano.

O município tem uma relação de parceria com os agentes culturais e como exemplo com As Oficinas do Convento, está a retomar a construção tradicional em Taipa e em Tijolo Burro, como podemos ver nas instalações, da própria sede do Aeródromo.

Em termos de actividades ligadas ao turismo & ambiente, o município tem apostado com os agentes na divulgação da riqueza histórica e patrimonial, na beleza paisagística do montado alentejano, Grutas do Escoural, Castelo, Conventos, Circuito Megalítico com roteiros, não esquecendo a atractividade de ofertas como: ecopista, sky náutico, jardim zoológico e o novo aeródromo onde nos encontramos. Estas ofertas poderão ser consultadas no website do município, da entidade regional de turismo, ou no posto de turismo.

Um turismo mais selectivo, em que a procura versa a qualidade e não a quantidade.

Um pouco de história do Aeródromo

O aeródromo, vem na sequencia de uma antiga pista de ultraleves, que existia cerca da actual pista e teve origem na impossibilidade ser certificada pelo seu proprietário.

Neste contexto e numa associação de boas vontades, o Proprietário do terreno, a Camara Municipal e o CVL – Centro de Vôo à Vela, por intermédio do seu Presidente o Comandante Sá Correia, grande impulsionador, reuniram-se num projecto, que foi financiado pelo Proder, com vista ao desenvolvimento de um Centro de Desporto Aeronáutico no município, que foi aceite e assim começou o projecto, cujo resultado podemos hoje apreciar com gosto.

O muito interessante, é que este Município, com uma visão autárquica & aeronáutica, conseguiu desenvolver um projecto colectivo, que agrega varias entidades e pessoas com uma visão à sua escala, para o Desporto e Turismo aeronáutico, querendo manter esta lógica e não pretendendo mais um aeroporto internacional/comercial em Portugal… Um projecto feito por pilotos e para pilotos…

O passado e o futuro encontram-se

O passado e o futuro encontram-se

As ideias foram surgindo, pelas queixas ouvidas de pilotos de ultraleves, planadores e paraquedistas, da sua dificuldade de arranjarem uma casa, onde sejam bem recebidos, sem ser roubados. Assim até a própria Aerofenix consta que está a preparar um projecto de provavelmente vir com a sua colecção de clássicos para este Aeródromo.

Em termos de infraestrutura temos um edifício com sala social, sala de formação e um Hangar da CVL.

  • CMM- Camara Municipal de Montemor-O-Novo – operador do Aeródromo;
  • Centro de Voo á Vela – o dinamizador das actividades aéreas;
  • Paulo Cunhal, o proprietário, tem um hangar para aeronaves.

Projecto futuros

 

Aguardam a finalização de algumas infraestruturas, para poder abrir a acessibilidade do aeródromo e o respectivo alargamento das actividades aeronáuticas a outras tipologias.

Oferta actual

 

O CVL procede á formação de pilotos de planador abinitio, conversões de pilotos PPA e ULM para planadores e de pilotos instructores de planador.

Quem quiser realizar-se nesta actividade, terá de se inscrever no CVL, tendo acesso a formação, instrutores, acesso a planadores e acesso ao Rebocador, tendo uma conta corrente, que vai sendo consumida, conforme os gastos, entretanto efectuados.

Em termos gerais, um curso de piloto de planador abinitio, poderá custar entre 2.800 e 3.000 € e uma conversão de um piloto de ULM 3ª Geração para piloto de planador, tem uma formação teórica e 6 horas de componente prática, que demora cerca de 1 mês e meio a concretizar.

A actividade do CVL e do Aeródromo é normalmente entre 6ªF, fim de semana e 2ª Feira, quando, a meteo estiver Cavok.

Gerir de forma compreensiva, é preciso ser piloto e conhecer a realidade aeronáutica, sabem de facto receber…

Avisar antes de vir, telefonar, para o Município nos dias em que não há actividade, para poder abrir os portões, estabelecer os contactos para um taxi, permitindo o acesso à hotelaria e à restauração de forma fácil.

Resta-me dizer, que a actividade do Vôo à Vela é única ! Experimente ! Este local para o fazer é paradisíaco!

Gostei e fui muito bem recebido.

Penso que este exemplo, poderá servir como um ensinamento do que se poderá fazer, a muitos campos de vôo e aeródromos neste País e de que a união faz a força e o sucesso…

David Ferreira

30/11/2015

Fotos de Filipa Lindmark

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