Air shows, Eventos Aeronáuticos em Portugal

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Artigo de Opinião

Relativo a este tema, gostaria de comentar a minha opinião e experiência neste tipo de eventos em Portugal e algumas perspectivas possíveis de melhoria futura.

Em termos de grandes Eventos entre 1986 e 2014, assisti ao 1986 Tires Air Show, Dia da FAP no Montijo anos 80, Évora Air Show, Red Bull Porto 2008 e o Estoril Air Show.

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Estes grandes eventos aéreos, com as restrições crescentes, tornam difícil o acesso do público às aeronaves, mesmo as estáticas. O público pretende ver as aeronaves que fazem as performances, o que se torna muitas vezes difícil (excluindo o RedBull/Porto).

Para um bom evento, é necessário as actividades aéreas apresentarem-se com sequência, o mais perto possível do público, tendo em conta as regras de segurança em vigor e sem paragens, com acompanhamento e explicação ao vivo à assistência.

É necessária a apresentação de esquadrilhas de aviões experientes em eventos, sejam civis ou/e militares. É um atractivo muito importante a participação de Aeronaves Clássicas, sendo os caças ou multimotores, objecto de grande admiração.

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Serão necessárias em simultâneo, actividades terrestres nomeadamente, a exposição estática de aeronaves de tipologias diversificadas, stands de oferta de serviços e equipamentos e merchandising ligados à aviação, palestras temáticas simultâneas, restauração e WC´s compatíveis à sua dimensão.

Na minha experiência os Airshows realizados em Évora foram o melhor exemplo, até à data, do que referimos.

Depois existem uma multitude de Eventos Aeronáuticos de menor dimensão, que apesar de conhecer de forma incompleta, principalmente os realizados no norte de Portugal, já participei em vários.

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Têm como caraterísticas serem organizados de forma não profissional por Aeroclubes e proliferam, sem que por exemplo haja uma articulação, para que não existam em simultâneo, o que acontece com frequência.

Naqueles em que participei, fiquei na sua maioria com uma opinião muito pobre e até triste, por vezes. Para além da refeição sempre agradável e com boa comida, passam uns aviões, alguns deitam fumo, falamos entre pilotos e há muito pouco que fazer, uma pessoa não fica entretida. Razão pela qual normalmente a família não tem paciência e arranja desculpa para não ir.

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Consistem em tentar reunir num aeródromo ou pista de ultraleves um conjunto de entusiastas de aviação que preferencialmente levando as suas aeronaves, trazem movimento à placa. Incluem invariavelmente um almoço, normalmente no local do evento, normalmente não têm a presença de empresas nem stands e em termos de actividades aéreas, tentam que a FAP leve um avião, aparecem alguns pilotos acrobáticos com as suas aeronaves e fazem algumas evoluções e muitas vezes são efectuados võos de 1º contacto. Tentam atrair a comunicação social, mas é raro haver alguma presença relevante das televisões.

AirshowEm termos de público normalmente é escasso, fica a ver ao longe, não sendo atraído pelos entusiastas/pilotos presentes para conhecerem melhor e poderem ver e sentir as aeronaves. Existe uma certa segregação, que é terrível e fatal para a divulgação da aviação em Portugal.

Em termos de actividades não existe a preocupação de ocupar os visitantes em múltiplas actividades durante o evento.

Normalmente não incluem a mostra de outros tipos de aeronaves: como pendulares, asa delta, parapente, parapente motorizado, planadores, helicópteros e balonismo.

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No fundo, são na sua maioria eventos organizados por pilotos e para pilotos, ao contrário do que se passa noutros países como a França, UK e USA em que o objectivo é tratar muito bem os visitantes e introduzi-los para o tema da aeronáutica, tendo sempre a preocupação de atrair a população jovem e as escolas ajudando à divulgação desta actividade.

Outra questão preocupante é que mesmo entre a população de pilotos, o que predomina são pessoas de idade e normalmente sempre as mesmas (onde me incluo).

AirshowTenho consciência que existem problemas comuns, que a todos nos atingem de alguma forma, que temos de ter em conta:

-Falta de capacidade de angariação financeira/filantrópica;
-Existência de um número pequeno de pilotos activos;
-Uma proliferação de aeroclubes, que nunca se articulam entre si;
-A congénita incapacidade associativa e de trabalho inter-associativo;
-O ser uma actividade cara e para uma elite, conceito que ainda permanece;
-A Meteorologia á data do evento;
-Necessidade de atracção de público jovem para esta actividade;
-A falta de presença feminina na aviação.

AirshowMas penso que algo poderia ser feito ou articulado, de forma a que, protegendo o ego de todos os pais da aviação em Portugal, conseguir que trabalhassem em comum para concretizar eventos atractivos e com sucesso e em prol da divulgação da aviação em Portugal.

Como exemplo, dado termos um País pequeno e uma massa associativa frágil e pequena, seria de todo mais interessante a realização de eventos um pouco maiores, organizados por regiões, em que houvesse anualmente a rotação entre aeroclubes (em cada região).

Seria importante uma articulação com a FAP, Marinha, APAU, TAP, ANA, NAVE, ANAC, GPIAA e as Universidades com cursos em Aeronáutica, em eventos devidamente escalonados no tempo, em que a participação sua fosse exigida e estimulada com a sua presença nas actividades aéreas e no evento em terra, com o seu expertise, com os seus stands e mostras da sua actividade.

Seria também possível obter a participação estática e/ou dinâmica, das restantes empresas em Portugal que trabalham em aviação e aeronáutica:

-Fabricantes de componentes
-Empresas de Trabalho Aéreo
-Empresas de Manutenção
-Escolas de Aviação
-Operadores de Aviação
-Empresas de Software
-Etc.

É que com a participação deste tipo de empresas/entidades públicas e privadas, que têm sempre a necessidade de dar a conhecer as suas actividades e arranjarem futuros colaboradores, cria-se uma perspetiva completamente diferente de evento aeronáutico, que por sua vez atraí muito mais público e jovens a participar.

AirshowPara a realização de eventos de maior dimensão, em vez de se continuar a tentar organizá-los por entusiastas ou protagonistas temporários, seria talvez de fazer parcerias com entidades estáveis e especialistas na organização de eventos para o efeito, devidamente complementadas com os especialistas em aeronáutica.

Como nota gostava de um dia assistir em Portugal a “The Parade of Planes – One of the highlights of the show again this year will be the Parade of Planes featuring over three dozen aircraft taxiing through the streets of Palm Springs to the convention center
Read more at http://www.flyingmag.com/blogs/course/7-reasons-you-should-attend-flying-aviation-expo#yrgzk9ZdDwW4f3Ed.99”

Com esta minha opinião, não quero deixar de saudar o esforço que muitos têm feito para concretizar alguns dos eventos aeronáuticos de referência realizados em Portugal.

David Ferreira

11/09/2015

Fotografias apresentadas pelo autor no Évora Air Show 2007 e Red Bull Porto 2008

3 comments

  • Gustavo

    Os festivais e eventos em Portugal precisariam de ser reforçados com novas ideias para atrair novo público e dar uma lufada de ar fresco às valências aeronáuticas.
    Muito bom artigo.
    Parabéns pela temática.

  • João Branco

    Muitos dos pontos em que toca fazem sentido…

    Em primeiro lugar, em Portugal não me parece que hajam organizadores “profissionais” de Airshows. Seja Évora, ou aeroclubes, como referiu, nenhum Airshow em Portugal, alguma vez, deu lucro, logo, nenhum organizador de airshow pode viver disso, não pode, portanto, ser um “profissional”. Há então organizações com mais recursos, e outras com menos…

    O ritmo num festival, como salientou, é das coisas mais importantes, mas é difícil criar “dinâmica” com 2 ou 3 aviões….

    Tentamos trazer um avião da FAP… Que nunca vem.

    Enfim, quer que eu lhe resuma em 3 palavras?.. Dinheiro, dinheiro, dinheiro…

    Portugal está longe dos grandes centros aeronauticos do mundo, dos locais onde os warbirds estão hangarados o ano inteiro. Em Duxford basta tira-los do hangar e fazer uma volta de pista e fazem um figurão, para trazer um Lancaster e um par de Spits a Portugal fazer uma passagem baixa comia todo o orçamento de um clube e não chegava, e os clubes não existem para fazer festivais… É esta. triste realidade, não entrámos na WWII e não temos dinheiro… Não conseguimos fazer omeletes sem ovos e, certamente, não vamos prescindir de comer para ter dinheiro para comprar ovos para fazer omeletes, se me faço entender…

  • Nuno Rebelo

    David, esta opinião está excelente, põe o “dedo na ferida” e identifica bem aquilo que, também na minha opinião, são os “pontos fracos” do nossos “festivais aéreos”, “air-shows”, “fly-ins” e similares. E as “soluções” indicadas são sem dúvida as principais a serem consideradas!

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